Escola do Legislativo promove palestra: “Quando o mundo não está pronto: O peso das barreiras invisíveis”

A Escola do Legislativo da Câmara de Ubá promoveu a palestra: “Quando o mundo não está pronto: O peso das barreiras invisíveis”, conduzida por Gabriela Mello, que trouxe reflexões importantes sobre os desafios enfrentados no dia a dia por pessoas com deficiência. A apresentação faz parte do cronograma de atividades do Parlamento Jovem de Ubá que trata este ano do tema Central: Inclusão da pessoa com deficiência e neurodivergência.

O encontro também propôs caminhos práticos para a criação de políticas públicas mais eficazes. Foram convidados para participar estudantes da Escola Estadual Senador Levindo Coelho e representantes do Parlamento Jovem da Câmara de Ubá.

Durante a apresentação, a palestrante compartilhou sua experiência pessoal após uma amputação em 2022, destacando como a vivência transformou sua percepção sobre o ambiente urbano. Segundo ela, muitas dificuldades passam despercebidas por grande parte da população, mas impactam diretamente a autonomia e a qualidade de vida de quem convive com algum tipo de limitação.

A palestra enfatizou que a inclusão vai além da adaptação física dos espaços, como a instalação de rampas. “É sobre conseguir entrar, circular, entender e participar”, destacou. Barreiras arquitetônicas, comunicacionais e sensoriais foram apontadas como obstáculos frequentes, muitas vezes invisíveis para quem não enfrenta essas realidades.

Um dos pontos abordados foi a dificuldade de acesso a próteses pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Gabriela relatou o tempo de espera e a limitação imposta pela substituição do equipamento a cada dois anos, sem considerar as mudanças naturais do corpo humano. A situação, segundo ela, evidencia a necessidade de atualização das políticas públicas para acompanhar as demandas reais da população.

A apresentação também chamou atenção para a neurodiversidade, incluindo pessoas com autismo e TDAH. Ambientes com excesso de ruído ou estímulos visuais podem ser tão limitantes quanto barreiras físicas, reforçando a importância de medidas como salas de descompressão e maior flexibilidade em espaços educacionais e públicos.

De forma interativa, os participantes foram convidados a analisar situações do cotidiano e transformá-las em propostas de leis, discutindo problemas, soluções e formas de execução. A dinâmica teve como objetivo aproximar a população do processo legislativo e incentivar a criação de políticas inclusivas.

Ao final, a palestrante reforçou a importância de atitudes individuais no processo de inclusão, como respeitar a autonomia das pessoas com deficiência, utilizar linguagem adequada e combater estigmas.

A mensagem central do encontro foi clara: a mudança começa na forma de enxergar o outro, mas precisa se concretizar por meio de ações e leis que garantam acessibilidade e equidade para todos.

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