Tema da Campanha da Fraternidade é debatido na CMU

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O versículo bíblico do profeta Isaías é o lema escolhido para a Campanha da Fraternidade 2019, que traz como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. Iniciativa da Igreja Católica, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a audiência pública foi realizada na noite de quinta-feira (11), na Câmara Municipal de Ubá (CMU), atendendo ao requerimento da vereadora suplente, Maria Auxiliadora Duarte Montezano, aprovado por todos os vereadores.

A palestra foi ministrada por André Eustáquio Alves, ex-coordenador da Renovação Carismática Católica, pregador, músico e integrante do Grupo de Oração São Francisco da Paróquia São Sebastião. O evento contou com a participação do vice-presidente da CMU, vereador José Roberto Reis Filgueiras e do vereador Edeir Pacheco da Costa.

O objetivo do debate foi estimular a participação em políticas públicas, à luz da palavra de Deus e da doutrina social da igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade.

André explanou sobre o que a Igreja entende por fraternidade. “A religiosidade do povo é um acervo de valores que responde com sabedoria cristã as grandes incógnitas da existência. Engloba criativamente o divino e o humano, Cristo e Maria, espírito e corpo, comunhão e instituição, pessoa e comunidade, fé e pátria, inteligência e afeto, amor, carinho e fraternidade, essa junção, essa unidade de poder usar nossa sabedoria humana em prol do outro”.

O palestrante falou também sobre as políticas públicas. “São conjuntos de programas, ações e atividades desenvolvidas pelo Estado, diretamente ou indiretamente, com a participação de entes públicos ou privados, que visam assegurar determinado direito de cidadania, de forma difusa ou para determinado segmento social, cultural, étnico ou econômico. Essa é a preocupação da Igreja: que todos estes direitos cheguem até as pessoas que verdadeiramente precisam”, explicou.

Segundo André, o Catecismo da Igreja Católica mostra que é nosso dever e, ao mesmo tempo direito, exigir que nossas autoridades estabeleçam leis que reconheçam os direitos inalienáveis da pessoa humana. “Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos nem dos pais, e também não representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa em razão do ato criador do qual esta se origina. Entre estes direitos fundamentais é preciso citar o direito à vida e à integridade física de todo ser humano desde a concepção até a morte. No momento em que uma lei positiva priva uma categoria de seres humanos da proteção que a legislação civil lhes deve dar, o Estado nega a igualdade de todos perante a lei. E quando o Estado não coloca sua força a serviço dos direitos de todos os cidadãos, particularmente dos mais fracos, os próprios fundamentos de um estado de direito estão ameaçados”, ressaltou.

Conforme o palestrante, a campanha da fraternidade se dá no período quaresmal, período de reflexão para os católicos, período de conversão, de autoanálise da pessoa diante de Deus e da sociedade. “E para refletir deixo a seguinte pergunta que Deus fez para Caim: ‘Onde está o seu irmão? Onde está aquele que precisa? Onde está aquele a quem eu preciso levar a dignidade? Onde está aquele que precisa ser igual a mim? Onde está aquele que necessita não só de bens materiais?’ Onde está o seu irmão?”, disse.

O vice-presidente da CMU, vereador José Roberto Reis Filgueiras, destacou a importância da participação dos cristãos na política. “A palavra cristão nos remete a Jesus Cristo, que nos ensinou a amar, a respeitar e a cuidar do próximo. E a política é para todos! É o nosso papel mostrar que a política é algo bom, e pode transformar e mudar a vida das pessoas, trazendo esperança, dignidade e uma vida melhor”.

O contexto da passagem em que Jesus promete vida abundante àqueles que são seus, foi abordado pelo vereador Edeir Pacheco que explicou: “Jesus disse: Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância. Ter uma vida em abundância é desfrutar de comunhão com Deus através da obra redentora de Cristo. É ter sido salvo pela graça mediante a fé. E o tema da campanha da fraternidade fala em políticas públicas e se acompanharmos o significado de fraternidade com certeza as políticas públicas vão acontecer da melhor forma, com o espírito de reconhecer o outro e saber onde está o seu irmão”, declarou.

A vereadora suplente, Maria Auxiliadora Duarte Montezano, agradeceu aos vereadores pela realização deste debate e fez uma reflexão acerca do tema da campanha da fraternidade.  “Espero que este momento que nós vivemos mude a nossa cabeça e a de nossa sociedade de que precisamos ser Igreja e precisamos ser política. Muitas pessoas dizem que política não se discute, mas porque certamente não sabem a beleza e a essência de se fazer uma política bem feita. Diante disso, agradeço a todos os vereadores que disseram sim para este momento de hoje. Nós vivemos uma política e nosso primeiro político, um grande político, foi Jesus que disse: ‘dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus’, fazendo com que o amor existisse, a unidade também e o direito. Eu não posso querer ter um direito sem fazer nada, eu preciso fazer a minha parte, com fé em Deus”, pontuou.

André concluiu o debate mencionando trecho de uma fala do Papa Francisco: “Nenhum de nós pode dizer: não tenho nada a ver com isso, já que eles é que governam. Ao contrário, eu sou responsável pelo seu governo e devo dar o melhor de mim para que eles governem bem, e participar da política dentro das minhas possibilidades. E o Papa continuou a falar da importância da política: Eu não posso lavar minhas mãos. Todos nós devemos oferecer algo. Um bom católico se empenha na política oferecendo o melhor de si, para que o governante possa governar”, concluiu.

Campanha

A Campanha da Fraternidade é realizada todos os anos pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no período da Quaresma. O objetivo é despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução. A cada ano é escolhido um tema, que define a realidade específica a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação.

 

 

                                                                                   

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